domingo, 5 de setembro de 2010

Lavadeiras de roupas impedidas de trabalhar em Piripiri



Mulheres trabalhadoras do bairro Recreio em Piripiri que há mais de 50 anos lavavam roupas para sobreviver, recebem o ofício nº 014, de 31/08/2010, da Prefeitura da cidade proibindo o exercício da profissão, que é o ganha-pão da maioria delas.

Dezenas de lavadeiras de roupas sempre começavam a dura rotina do trabalho cedo da manhã, em um córrego, logo abaixo do olho d’água do Recreio, bairro da zona norte de Piripiri. São mulheres, mães, esposas, donas de casa que levam uma dupla jornada de trabalho pesado para ajudar no sustento da família. Tudo andava bem: a Prefeitura, pelo Decreto nº 779, de 16/04/2007, doou um terreno para a Associação de Moradores do Bairro Recreio com o objetivo de ser construída a lavanderia comunitária, onde essas batalhadoras poderiam sobreviver à salvo das intempéries, com segurança e um certo conforto.

De acordo com o presidente da associação, Sr. José Francisco da Silva, a alegria durou pouco: os proprietários de um terreno de grandes proporções pertencente à uma só família, próximo ao da associação, por onde segue o pequeno córrego, resolveram barrar o curso da água com sacos de areia. Como resultado, a água aqueceu, não houve renovação do recurso hídrico e nem do oxigênio. Em conseqüência, peixes e outros seres aquáticos à jusante vieram à óbito. Conforme o presidente, “Sem uma análise da água e nem do impacto ambiental, a Prefeitura seguiu o caminho mais fácil: expediu ofício proibindo a atividade das lavadeiras”.

Inquietos com a situação, os moradores, lavadeiras e membros da associação conseguiram a desobstrução do córrego, derrubando parte da barragem, construída de forma irregular. Além disso, à revelia da administração pública, continuam exercendo seus ofícios, até como forma de sobrevivência.

A Sra. Noêmia Pereira de Araújo declarou que trabalha no local há pelo menos cinquenta anos e nunca presenciou a mortandade de peixes, pois, segundo ela, “a água corria livremente”. Com a provável impossibilidade de continuar trabalhando no local, a Sra. Antônia Ana lamenta, tendo em vista trinta mulheres trabalharem no local e lavarem roupa a R$ 25,00 a ‘trouxa’.

A Secretária da associação, Erotides da Saúde Santos, conseguiu reunir as lavadeiras de roupas e representantes da comunidade, para um ato em defesa das trabalhadoras, nesta quinta, 02/09, em volta da fonte do Recreio.

Assista ao vídeo com os depoimentos do Sr. José Francisco da Silva, presidente da Associação de Moradores do Bairro Recreio e da Sra. Noêmia, a lavadeira de roupa mais velha em atividade no local:

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